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Eleitor brazuca: votando em quem “faz alguma coisa”

Posted by Márcio Gonçalves em novembro 1, 2012

Agora que estamos há trinta anos tendo eleições acho que já dá para sacar como o eleitor brazuca se comporta.

Em primeiro lugar, vale a pena enfatizar como o povo brasileiro sempre se sentiu desamparado pelo Estado (país escravocrata, elitista, coisa e tal). Ninguém faz nada por você, esse parece ser o clima. Assim, toda vez que o povo se sentiu amparado de alguma forma, demonstrou apego a quem fez. Quando o cara “que fez alguma coisa” veio para pedir votos, os votos lhe foram dados.

Getúlio Vargas foi ditador, mas também foi “pai dos pobres”. Apesar dos seus erros, Vargas representou bem o momento em que o Estado começou a dirigir seu poder na direção dos menos favorecidos. Quando pediu para voltar a ser presidente pelo voto direto, votos não lhe faltaram.

José Sarney já foi presidente do Brasil, lembram? E “acabou com a inflação” em 28 de fevereiro de 1986, com o Plano Cruzado. A euforia foi geral: preços congelados, poder de compra, “fiscais do sarney”. Em novembro daquele ano, Sarney foi o grande cabo eleitoral de governadores eleitos pelo PMDB. Governadores de todos os estados, menos um. A força do Sarney e do Cruzado  foi capaz de derrotar o candidato de Leonel Brizola em pleno Rio de Janeiro. A euforia do eleitor só acabou quando descongelaram todos os preços antes da apuração terminar.

o grande cabo eleitoral de 1986

Em 1994, Itamar Franco lançou o Plano Real. Ele também “acabou com a inflação” e “criou uma moeda estável”  em 1º de julho de 1994 (deu para perceber que a inflação não morreu em 1986, não é?). Sensação de poder  total: moeda forte, Brasil entrando no primeiro mundo, modernizando-se. Itamar também não teve dificuldade em ser cabo eleitoral do seu ministro da fazenda, Fernando Henrique Cardoso, que nunca foi campeão de votos até aquele momento, mas ganhou de lavada a segunda eleição presidencial pós-ditadura. Quatro anos mais tarde, FHC repetiria a dose e ganharia a sua reeleição no primeiro turno. Todavia, a coisa ficou feia pro lado dele quando logo depois da sua segunda posse o real foi reduzido a um quarto do seu valor em três dias.

O grande cabo eleitoral de 1994 levantando a mão do seu eleito

Lula deu um nó na crise econômica internacional de 2008. Fez elevar o salário, o consumo e o nível de emprego das classes mais baixas. Assim, fez sua desconhecida ministra da Casa Civil virar presidenta em 2010. Até o momento o governo Dilma continua nesta mesma trilha. Parece que Dilma se reelege fácil em 2014. Aliás, este é um dos motivos pelos quais querem pegar o Lula agora, baseado em “revelações” do Marcos Valério sobre “mensalão”. Só assim pras forças do atraso ganharem alguma coisa agora. No voto tá difícil.

O grande cabo eleitoral de 2010 levantando a mão da sua candidata

Neste momento em que o STF se presta ao papel ridículo de dizer que o PT tinha um plano de “perpetuação de poder”,  os reacionários brasileiros podiam se tocar que ganhar eleição passa por mostrar à população que alguém está fazendo algo por ela. Enquanto você convencer o povo que faz algo por ele, ele vota em você.

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