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Eleitor Brazuca: deixando de votar em quem decepciona

Posted by Márcio Gonçalves em novembro 15, 2012

Continuando a refletir sobre o comportamento dos eleitores brasileiros desde 1982 para cá.

No último post sobre o assunto, vimos que o eleitor brasileiro é generoso em votos com quem ele sente que faz alguma coisa. Exemplos: Getúlio Vargas (1950), José Sarney (1986), Itamar-FHC (1994), Lula-Dilma (2010).

Acho  que isto também está por trás  da reeleição fácil de Sérgio Cabral ao governo do Rio em 2010. O que ele “fazia pelas pessoas” era a UPP.  Eduardo Paes acabou de ser reeleito com força na prefeitura do Rio. O que ele “faz”? Parque de Madureira, Transcarioca, Clínicas da Família.

Mas existe um outro lado da moeda. Quando a gratidão é traída, vem a decepção do eleitor. E aí meu amigo, os políticos podem tirar o cavalinho da chuva.

Quando a equipe econômica de Sarney decretou o fim do congelamento do Plano Cruzado enquanto os votos ainda eram apurados, a velha raposa maranhense teve que procurar os confins do Amapá para se eleger.

E sempre que há a decepção, surge uma brecha eleitoral. Pode ganhar qualquer um que não seja aquele que deixou o gosto da decepção e da traição na boca do povo.

No caso do Sarney, a brecha que ele deixou abriu espaço pra ninguém menos que Fernando Collor de Melo…

Olha só o que veio no vácuo deixado pelas vaciladas do Sarney

Em 1998 Fernando Henrique Cardoso tirava onda de que “quem acabou com a inflação vai derrotar o desemprego”. Só que o Real supervalorizado já não se aguentava em pé e o grande capital especulativo salivava para lucrar acabando com as reservas de dólares do Brasil. Foi exatamente isso que fizeram pouco depois da posse de FHC no segundo mandato (1999), e o “real forte” foi reduzido a um quarto do seu valor em três dias. O eleitor, se sentindo traído por FHC, nunca mais quis saber dele. A rejeição a ele é tão alta que demorou dez anos até colocarema imagem dele num programa eleitoral do PSDB.
O segundo mandato de FHC se arrastou sofregamente até acabar. Ficou claro que qualquer um que não fosse o candidato de FHC se elegeria. Aí veio a brecha. Tinha um postulante de longa data querendo entrar: Lula.

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Olha só quem veio depois da sucessão de vaciladas do FHC

A história não pára por aí. Desde 2009 os governos Lula-Dilma se dão muito bem no quesito de “sensação de bem-estar” do eleitor. Mas tem gente doida para que esta sensação de bem-estar vá por água abaixo. Em 2009 mesmo tinha gente apostando que o Brasil ia afundar na mesma crise europeia-estadunidense que se arrasta até agora (mando um post sobre isso depois).

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