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Eleitor brazuca: o golpe do “homem que vai acabar com a corrupção”

Posted by Márcio Gonçalves em janeiro 13, 2013

Conforme visto no post anterior, a direita brasileira não tem como ganhar eleição se falar suas reais intenções e a enganação mais bem-sucedida é o discurso anticorrupção. Ele já foi bem-sucedido em duas eleições presidenciais.

Em 1960, a direita foi pinçar o excêntrico governador de São Paulo, Jânio Quadros, para ser seu candidato a presidente. Jânio usou e abusou do discurso moralizador e o símbolo da sua campanha era uma vassoura com a qual ia promover a “limpeza” do Brasil. Ganhou de lavada.

"O homem que vai acabar com a corrupção", versão 1960

Jânio Quadros, “O homem que ia acabar com a corrupção”, versão 1960

Jânio era tão bizarro que na presidência de um país em plena expansão urbana e industrial se ocupou de proibir biquínis nas praias, proibir brigas de galo e, tendo sido eleito com o vital apoio da direita, tratou de dar uma honraria a um ícone da esquerda mundial, Ernesto Che Guevara. Não chega a ser surpresa que renunciou sete meses depois da posse. A renúncia dele causou uma série de crises que levaram o país ao golpe de Estado de 1964. A sequência de eventos entre a renúncia e o golpe já deu vários e vários livros e merece ser conhecida a fundo por todos os brasileiros. Vamos acabar falando sobre alguns destes eventos no blog…

O Brasil ficou sem eleição direta pra presidente de 1960 até 1989. Para enfrentar a eleição de 1989, a direita, bem munida de informação, tratou de criar um candidato com perfil jovem, arrojado, e, como em 1960, um lutador furioso contra a corrupção. Tratava-se de Fernando Collor de Mello. Com uma boa ajuda da mídia, Collor conseguiu ganhar a eleição em cima de algumas figuras de peso da política, como Leonel Brizola, Ulysses Guimarães e  Lula (então estreante em eleições presidenciais). O noticiário favorável que Collor recebia da mídia em 1989 deveria ser estudado em faculdades de comunicação até hoje. A montagem que a Globo fez favorável a ele no último debate contra Lula é, ainda hoje, o maior exemplo de favorecimento explícito de uma rede de TV numa eleição.

Collor (de punho erguido), "o homem que vai acabar com a corrupção", versão 1989

Collor (de punho erguido), “o homem que ia acabar com a corrupção”, versão 1989

Collor foi tão prepotente que conseguiu se indispor com a elite industrial-bancária paulista, com o Congresso Nacional e conseguiu até perder apoio das empresas de mídia que estavam com ele desde a primeira hora. Não deu outra. Caiu três anos depois de eleito, com ruidosa campanha de grande participação popular.

2014 vem aí. Nova eleição presidencial. Parece que o discurso anticorrupção vai ganhar um novo “herói”. Em 2012 Joaquim Barbosa foi saudado em verso e prosa pela mídia tradicional por ter sido “implacável” no julgamento do assim chamado “mensalão”. Na verdade, Barbosa forçou o julgamento do caso em foro que não era próprio para a maioria dos réus, condenou sem provas materiais e o Supremo Tribuna Federal adotou um discurso de crítica da política como um todo. Joaquim Barbosa é corajoso? Prefiro ver o que ele vai fazer com os muitos casos de corrupção que grassam nos partidos amigos da mídia…

Mas em todo caso, a candidatura de Barbosa em 2014 é uma possibilidade.

Joaquim Barbosa, "o homem que vai acabar com a corrupção", versão 2014?

Joaquim Barbosa, “o homem que vai acabar com a corrupção”, versão 2014?

Me parece que o problema do “homem que vai acabar com a corrupção” é que suas “virtudes” são tão exaltadas em campanha eleitoral que ele mesmo acaba acreditando nelas. Acaba acreditando em si mesmo acima das forças que o elegeram. Jânio e Collor ousaram comprar briga com todo mundo e se deram mal. Se Joaquim Barbosa for candidato e ganhar, deve acontecer a mesma coisa. Ele já tem demonstrado um comportamento prepotente como relator do processo do “mensalão”. Imagine se ganhar uma eleição. Talvez não chegue a dois anos de mandato…

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2 Respostas to “Eleitor brazuca: o golpe do “homem que vai acabar com a corrupção””

  1. […] Na modesta opinião deste blogueiro, Joaquim Barbosa não tem mais chance de emplacar como candidato a presidente. Ele seria o “candidato anticorrupção” da direita e parece que já sucumbiu à síndrome de se achar acima do bem do mal que já pegou os candidatos “moralizantes” anteriores, Collor e Jânio Quadros. […]

  2. […] Barbosa: ele será a terceira encarnação do “homem que vai acabar com a corrupção”, no que foi precedido por Jânio Quadros e Collor de Me…. Os blogs que leio acham que a candidatura dele vem só para forçar um segundo turno entre Dilma e […]

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