Fita de Moebius

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Archive for junho \30\UTC 2013

Reunião Fictícia

Posted by Márcio Gonçalves em junho 30, 2013

O texto a seguir é uma peça de ficção.  Tudo foi inventado. Nada é real. Leia por sua conta e risco.

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Em 30 de junho de 2013, a direita e a extrema direita fazem uma reunião para discutir o sucesso de suas mobilizações no Brasil. Cada um manda um representante. Da direita vem o economista, empresário e colunista de jornais Direitino Geld. Da extrema direita, o representante mantinha seu nome em segredo, bem como sua profissão. Era conhecido apenas como Extremista.

Eles se encontram, sorriem, se abraçam e se sentam na mesa para acertar alguns pontos.

Direitino – Já viu o Datafolha? Dilma caiu 27 pontos em três semanas. Vocês estão de parabéns.

Extremista (exultante) – É rapaz, um sucesso…

Direitino – Pois é. É sobre isso que eu vim falar agora. Agora que a Dilma caiu, vocês podem parar as manifestações por aqui, certo? Daqui para frente a gente continua sangrando a candidatura dela.

Extremista (com desdém) – Vocês? Me desculpa, a gente é amigo, mas vocês são muito devagar. Começaram o ano com aquelas conversas patéticas de racionamento, depois veio aquele papo de tomate. Seis meses pro índice dela cair 7%? Francamente…

Direitino – Tá bom. Tava devagar. Mas vocês pelo menos podiam ter avisado a gente que iam ocupar as manifestações das passagens de ônibus. Assm a gente não tinha que parecer um bando de vira-casaca.

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A constituinte que não foi

Posted by Márcio Gonçalves em junho 29, 2013

No dia 24 de unho de 2013, achei que a Dilma tinha pegado os limões e feito uma limonada. Já que os pedidos das ruas reclamavam de políticos (“não nos representam”, “abaixo a corrupção”, etc), por que não fazer a reforma política? Por que não dar ao povo protagonismo de esolher membros de uma nova assembleia constituinte só para fazer a reforma política? A ideia era um ovo de colombo.

Viajei na proposta. Me veio logo a possibilidade de abolir o financiamento de empresas para campanhas eleitorais. A lei de responsabilidade política, onde o candidato é obrigado a cumprir um programa que registrou, sob pena de perder o mandato. A implantação de mecanismos de democracia direta, onde a participação das pessoas vai ser levada em conta nas decisões. A facilidade para criar partidos e para permitir candidaturas independentes.

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Constituinte islandesa de 2011

Viajei mesmo. Imaginei o processo constituinte islandês de 2011, com participação popular através da internet. Será que podemos repetir o processo aqui? E como seriam as candidaturas dos constituintes? Será que já seriam sem financiamento corporativo? Já poderiam ser independentes de partido?

Mas, neste junho de 2013, a história avança rápido. Cada dia parece um mês. A constituinte já caiu. Foi bombardeada por todos os lados. Juristas, como Ives Gandra (do Instituto Millenium, a organização golpista do momento) dizendo que era inviável. Políticos fisiológicos ofendidíssimos com a “falta de consulta” da presidenta a eles. Como se a rua não apontasse para este tipo de solução. E a falta de eco da convocação da constituinte nas ininterruptas manifstações de rua. Se o Facebook e a Globo mandarem repudiar a PEC-37, lá vão os manifestantes. Se a presidenta dá uma oportunidade de ouro de participação do povo, ninguém fala nada. “O Brasil acordou”? Só se for pra fazer quebra-quebra.

Com a batalha da constituinte perdida, o governo batalha por um plebiscito e a oposição, do auge do seu cinismo, por um referendo. Que fique claro: os políticos fisiológicos só vão fazer mudanças que favoreçam a eles, a mídia vai fazer muita propaganda tipo “PEC-37” para empurrar goela abaixo dos manifestantes o que eles acham que deve ser feito.

Mas, como já dito, ultimamente cada dia avança como um mês. O que acontecerá amanhã?

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Tecnologia de Golpes

Posted by Márcio Gonçalves em junho 24, 2013

Golbery do Couto e Silva 12

Golbery do Couto e Silva

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Olympio Mourão Filho

As duas últimas semanas surpreenderam todo mundo. Eu, do meu lado, não posso mais ficar espantado com a falta de originalidade da direita em produzir golpes e desestabilizar governos.

Antes era tudo meio patético. Não tendo nem mesmo um discurso para ganhar o governo no voto popular, começou uma espécie de terrorismo na mídia: racionamento de energia, inflação “descontrolada”, aumento dos juros, tomate.

Aí veio o boato do fim do bolsa-família. Estranho. Tão seletivo, tão bem-espalhado, tanto tumulto. Aí tinha.

Junho chegou e o caos veio junto com ele. Manifestações pela redução das tarifas de ônibus chegaram e com elas a repressão violenta da polícia paulista. Aí, a extrema direita se juntou e começou o quebra-quebra. Em questão de dias, um forete trabalho de divulgação conseguiu juntar milhões de jovens em todos no Brasil para criar o quadro de caos e convulsão social que o “iminente” racionamento e o tomate não conseguiram. Golpe de mestre da extrema direita.

A direita e a extrema direita no Brasil perseguem o mesmo objetivo de derrubar ou desgastar governos trabalhistas, mas agem por caminhos diferentes e às vezes batem cabeça uma com a outra. No golpe de 1964, o general Golbery do Couto e Silva era o cérebro da direita no Brasil. Articulava empresários e militares através do Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), trabalhando para virar a opinião pública ao seu alado, atuando em sindicatos, organizações religiosas, estudantis, femininas, empresariais  e jogando pesado no financiamento de políticos através do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD). O objetivo dele era estabelecer a hegemonia do capital nas decisões de governo, com uma ênfase no aumento de facilidades para o capital estrangeiro. No mesmo golpe de 1964, o general Olympio Mourão era  o cérebro da extrema direita, por assim dizer. Foi ele que saiu na frente e deslocou suas tropas de Minas para o Rio. Ele não gostava de Golbery nem da Escola Superior de Guerra, que seguia uma linha de pensamento semelhante à de Golbery. O objetivo de Mourão? Tirar aquele monte de “comunistas safados” do governo e do país também, pro trabalho ficar bem feitinho. A ousadia de Mourão levou vários militares da extrema direita (a “linha dura”) a comporem o governo que a princípio seria só da turma do IPES. Os presidentes-ditadores Costa e Silva e Médici vieram da extrema direita.

Esta semana a história se repetiu. “Mourão” saiu na frente e o “IPES” teve que seguir. Mourão no caso foi a extrema direita que começou o seu movimento “occupy manifestações”. O IPES no caso é o Instituto Millennium, que tenta fazer a mesma coisa que seu antecessor fez, sem tanto sucesso. Quando o Millenium viu que a extrema direita ia tomar conta das ruas, pelo menos um de sues membros voltou atrás instantaneamente. Já é um clássico o “mea culpa” de Jabor, “abençoando” as manifestações depois de pedir para a polícia baixar o sarrafo. A Globo cobriu todos os eventos, com bastante ênfase na exibição de vandalismo.

O Millenium trabalhava na construção da imagem de Aécio Neves, a extrema direita aponta para Joaquim Barbosa. Para este blogueiro, a candidatura Joaquim Barbosa já estava liquidada há algumas semanas. Quebrei a cara.

O objetivo do Millenium era sangrar a imagem de Dilma até ela chegar fraca na eleição de 2014. A extrema direita quer um golpe de estado agora e, se possível, a extinção de todos os partidos.

A semana que começa amanhã promete. A esquerda quer recuperar a hegemonia do discurso das manifestações, a direita e a extrema direita podem divergir ainda mais.

O que esperar?

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Um livro vital para entender o que se passa

Posted by Márcio Gonçalves em junho 23, 2013

1964_a_conquista_do_estado1964 – A Conquista do Estado é um livro que mostra os bastidores da preparação do Golpe de 1964. Tese de doutorado do uruguaio René Dreyfuss, foi publicado em 1981 no Brasil pela Editora Vozes.

O livro mostra quem preparou o golpe e como o preparou. A primeira surpresa é que o golpe não é exclusivamente militar. Muito pelo contrário. Uma organização civil de empresários planejou e atuou em diversas frentes para que o governo Goulart fosse derrubado e substituído pelo regime que lhe interessava. A organização que capitaneou o processo se chamava Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES). Os presidentes-ditadores foram todos militares, mas a maior parte dos ministérios da ditadura era ocupado por empresários civis oriundos do IPES. O General Golbery do Couto e Silva foi o grande engenheiro do golpe, mas ele fez isso articulando através do IPES e não exclusivamente nos quarteis.

Boa parte do trabalho preparatório do golpe de 1964 era convencer a opinião pública de que o governo de João Goulart era um perigo para o Brasil e o golpe seria uma boa solução. Neste ponto, eles foram bem-sucedidos.

O tempo passa, o tempo voa, e a tecnologia de golpes continua numa boa. Boa parte do trabalho agora é o mesmo. Transformar a Dilma no inimigo público nº 1. Hoje, 23 de junho de 2013, parece que eles estão sendo bem-sucedidos também…

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Eleições 2014: Joaquim Barbosa

Posted by Márcio Gonçalves em junho 12, 2013

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Na modesta opinião deste blogueiro, Joaquim Barbosa não tem mais chance de emplacar como candidato a presidente. Ele seria o “candidato anticorrupção” da direita e parece que já sucumbiu à síndrome de se achar acima do bem do mal que já pegou os candidatos “moralizantes” anteriores, Collor e Jânio Quadros.

Joaquim fala mal de todo mundo no judiciário, de toda a imprensa, xinga jornalistas. Além disso, aparentemente ele gosta de umas mordomias nada compatíveis com um “defensor da austeridade”.

Ainda existe a possibilidade de ele ser candidato a vice-presidente (de Aécio?) . Mas imagino que cause pânico a ideia de ele assumir a presidência se o titular tiver que sair…

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Eleições 2014: Marco Feliciano

Posted by Márcio Gonçalves em junho 9, 2013

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Nada foi dito sobre Marco Feliciano ser candidato a presidente em 2014.

Mas o que ele representa pode ter um papel importante na eleição do próximo ano.

O que ele representa? A intolerância. O medo. A negação de direitos a homossexuais, a ilegalidade do aborto em qualquer circunstância, a diminuição da maioridade penal. Todos os temas mais conservadores que, infelizmente, têm ressonância na maioria dos eleitores brasileiros. O ataque a outros embalado num discurso de “defesa da família”, “defesa da vida”, “defesa do patrimônio”.

O que 2014 tem a ver com isso?

Suponhamos que a eleição no ano que vem chegue ao segundo turno meio empatada. Dilma de um lado, Aécio de outro. Quem ousar empunhar as “bandeiras” do tipo Marco Feliciano pode desequilibrar a eleição.

Mas quem ousará assumir este apoio?

Aécio, com o apoio escancarado da Globo, que é ultraliberal nos direitos dos homoafetivos? A Globo ou Aécio bancarão a incoerência?

Dilma, com o histórico do PT de defesa dos direitos das minorias?

Em 2010, o tema-mor  do conservadorismo era aborto e Serra o trouxe para a campanha como a última chance de chegar ao segundo turno. Foi bem-sucedido. Trouxe o “kit-gay” para tentar ganhar o segundo turno de prefeito em 2012. Foi mal-sucedido. Fará o mesmo com os temas “Marco Feliciano” no ano que vem?

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Eleições 2014: Marina Silva

Posted by Márcio Gonçalves em junho 9, 2013

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Marina Silva aglutina o voto dos que querem alguma coisa nova, dos que não estão satisfeitos com os muitos acordos e concessões que Lula e o PT tiveram que fazer para conseguir chegar ao governo.

Ela também atrai o voto verde, o voto evangélico, o voto de quem quer mais “ética” na esquerda, apesar de sua candidatura acabar funcionando como força auxiliar da direita. Essa parte é triste mas é verdade. A mídia infla candidaturas como a de Marina ou Heloísa Helena em 2006 unicamente com a intenção de diminuir o número de votos em branco e aumentar a chance de segundo turno com os candidatos majoritários (o do governo e o do maior partido da oposição).

Quantas vezes este truque já foi usado…

E algo parece ter desandado na candidatura de Marina. A perspectiva de não ter partido, a declaração em que colocava o discriminador Marco Feliciano como vítima, o pedido desesperado a Joaquim Barbosa…

No momento, está difícil para Marina.

 

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