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50 Anos de um Golpe de Estado

Posted by Márcio Gonçalves em janeiro 11, 2014

anatomia_golpe_1964

Em 2014 se completam 50 anos do Golpe de Estado de 1964.  Foi o apogeu de uma articulação que vinha desde fins de 1961 e de uma vontade que já vinha de 10 anos antes.

O poder executivo, com João Goulart, (em vermelho-pálido na ilustração acima), tinha o apoio do PTB (seu partido) e do PCB, bem como das associações de classe: sindicatos, Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), UNE, etc. Recentemente também se soube, através de uma pesquisa IBOPE (não divulgada na época), que contava com apoio de boa parte da população, a “maioria silenciosa” do diagrama acima. Isto não foi suficiente para brecar o golpe.

Para começar, as outras instâncias do poder formal não estavam com Goulart. O legislativo era dominado pelo PSD, que foi passando de antigo aliado a golpista, ao ponto do presidente pessedista da Câmara, Auro de Moura Andrade, declarar “vaga” a presidência da república com o presidente ainda em solo nacional, logo após o golpe. Além disso, muitos deputados eleitos em 1962 contaram com verba do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), que vinha da CIA. O poder judiciário se fez de morto: não foi pró-golpe, mas nada fez para impedi-lo quando aconteceu.

O Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES) foi o grande articulador oculto do golpe, como já comentado neste blog. Conseguiu influenciar os militares, os meios de comunicação, o capital (financeiro, industrial e agropecuário), a religião e, por tabela, a classe média.

O IPES ajudou a articular os militares golpistas, mas as Forças Armadas já tinham uma tradição de intervencionismo no Brasil desde o final do Império. Estavam doidos para derrubar Vargas em 1954 e livrar o Brasil da “ameaça comunista internacional” (que se fosse tão ameaçadora assim teria conseguido articular alguma reação ao golpe…).  Além disso, desde o final da 2ª Guerra Mundial, oficiais brasileiros tinham se aproximado de oficiais do exército dos Estados Unidos. Por sua vez, os militares também se articulavam com políticos direitistas da União Democrática Nacional (UDN), como Carlos Lacerda e Magalhães Pinto .

Os meios de comunicação passaram a fazer terrorismo noticioso, enfatizando a narrativa de que o governo Goulart era corrupto, não conseguia controlar a carestia e incentivava a “baderna”.

Com os capitalistas, o IPES fez um trabalho de “consciência de classe”  e de angariar fundos para as suas atividades. Quem não contribuísse com dinheiro podia contribuir com passagens aéreas, como é o caso da VARIG, que franqueou viagens para alguns membros do IPES.

Na religião, na época predominava o catolicismo conservador. Teologia da Libertação ainda era uma pequena força crescente. Padres e bispos ajudaram a disseminar a imagem do comunismo ateu e assassino de sacerdotes para aterrorizada senhoras. Do trabalho da religião e da imprensa saíram os participantes da Marcha da Família com Deus pela Liberdade e das Marchas da Vitória, logo após o golpe.

Sobre o trabalho da CIA e da embaixada dos Estados Unidos, documentos recentemente liberados confirmaram que a articulação pró-golpe começou enquanto John Kennedy estava vivo. E havia compromisso da Quarta Frota aportar em águas brasileiras para dar suporte ao golpe, caso as coisas desandassem.

E assim foi. Todas estas forças somadas levaram o Brasil a um período de autoritarismo de 21 anos.

A redemocratização veio em 1985 e em 1989 o Brasil voltou a votar para presidente. De lá para cá já tivemos 6 eleições presidenciais. E note que na história do Brasil nunca havíamos tido uma sequência de 6 eleições presidenciais com voto universal (!!!). Os golpes militares acabaram. Os militares não dão sinais de querer voltar depois do desgaste da ditadura.

Mas, hoje em dia, pelo mundo afora, outros autoritarismos se impõem e se vê um outro tipo de golpe…

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