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Provocadores?

Posted by Márcio Gonçalves em janeiro 13, 2014

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Cabo Anselmo

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Joaquim Barbosa

Em 1964, os golpes de Estado eram militares. Ok, o golpe de 1964 foi uma complexa articulação onde o principal conspirador foi o Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES), mas a face mais conhecida da história são os militares, por terem descido com as tropas, posto o pres. João Goulart pra fora e terem se apossado da cadeira da presidência durante 21 anos. O golpe do Brasil ficou com cara de golpe militar, como aliás acontecia em muitos países, e na América do Sul em especial.

Hoje em dia, os golpes militares saíram do terreno do aceitável. Agora todas as maracutaias são feitas através do Poder Judiciário. Começando pela polêmica eleição de George W. Bush, em 2000. Exemplos mais recentes são as deposições de Manuel Zelaya, de Honduras, em 2009, e de Fernando Lugo, do Paraguai, em 2011. Nos três casos, a atuação da Suprema Corte de cada país foi vital para o resultado, validando as situações de exceção.

Em 1964, o estopim para o golpe foi um evento militar. Em 2014, estamos caminhando para um evento jurídico que seria o estopim de um novo golpe?

Explico-me.  Em 64, a Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais do BRASIL (AMFNB) realizou uma atividade no Sindicato dos Metalúrgicos do Rio. A própria existência da entidade era considerada uma afronta ao oficialato. Os Almirantes mandaram prender os marinheiros, e João Goulart mandou soltá-los. Isto foi considerado apoio à “baderna” e ao desrespeito à hierarquia militar. 7 dias depois Goulart foi deposto pelo golpe.

O presidente da AMFNB, José Anselmo dos Santos, o “Cabo Anselmo”, fazia inflamados discursos esquerdistas, radicalizando a Associação. Na crise da Assembleia, apoiou fortemente as “reformas de base” anunciadas 10 dias antes por Goulart. Após o golpe, foi preso, fugiu para Cuba onde recebeu treinamento guerrilheiro, e voltou ao Brasil. Foi preso de novo, mudou de lado e passou a delator, entregando vários companheiros de luta. Muitos morreram, inclusive sua companheira, grávida de um filho dele. Na verdade, já há indícios de que o Cabo Anselmo era agente infiltrado dos militares e da CIA desde antes da crise da AMFNB. Um provocador. Todo o furor socialista de Anselmo nada mais seria que uma armadilha para João Goulart. Se for realmente isso, funcionou.

Joaquim Barbosa seria o Cabo Anselmo de hoje? Ele certamente não faz discursos esquerdistas, mas poderia estar fomentando um erro do governo. Seu comportamento durante todo o julgamento do “mensalão” incluiu ocultação de provas, condenações baseados em indícios tênues, ataques de pelanca contra qualquer contraditório, etc. Em novembro último, ao decretar a prisão dos “mensaleiros” petistas, iniciou uma sequência de abusos que parece pura provocação. Espetáculo de voo dos condenados, intervenção na supervisão do sistema prisional de Brasília. Chegou a ser qualificado como homem “mau” pelo jurista Celso Bandeira de Melo pelo tratamento dispensado a José Genoíno.

Qual o interesse de Barbosa? Irritar alguém no PT até lançarem uma nota tão destemperada quanto a que lançaram sobre Eduardo Campos? Fazer a presidente soltar um impropério contra ele? Matar Genoíno e levar petistas ensandecidos à porta do STF?

Ele quer, enfim, criar uma crise institucional e, com isso, conseguir o pretexto para um “golpe judicial”?

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