Fita de Moebius

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Archive for abril \23\UTC 2014

Reconhecimento Tardio

Posted by Márcio Gonçalves em abril 23, 2014

Gosto das trilhas sonoras de John Williams desde criança. Literalmente. Eu nem imaginava quem fazia a trilha da série Terra de Gigantes (que era dele) e já era capaz de cantarolá-la.

John Williams fez trilhas com os instrumentos da música erudita, mas as melodias são fáceis de guardar como música popular. Superman, Indiana Jones, Star Wars, E.T, etc.

E eu achava que Jerry Goldsmith era do segundo time, um John Williams menor. Hoje eu vejo o tamanho da bobagem que era minha avaliação. Além de excelente compositor, Goldsmith é mais versátil que Williams, tenho que reconhecer. As melodias de Williams estão na minha cabeça  e na de um monte de fãs de cinema, mas as de Goldsmith também. Enquanto a majestosidade parece a marca registrada de John Williams, Jerry Goldsmith era um camaleão.

As provas são as próprias trilhas de Goldsmith. Vejamos algumas.

Planeta dos Macacos (1967):

 

Star Trek – The Motion Picture (1979):

 

Gremlins:

 

Chinatown:

 

E o “tema de Carol Anne” de Poltergeist, que Goldsmith compôs para Spielberg. John Williams, que era quase exclusivo de Spielberg, estava ocupado com E.T.:

 

Esta última é estranha. Foi composta como uma pseudo canção de ninar para a personagem Carol Anne, de só 6 anos – e quem já viu o filme sabe que a menininha passa um aperto grande com as assombrações, num filme cheio de sustos. Curiosamente, colocaram este tema na abertura do filme, ao invés de algo mais sombrio.

Goldsmith tinha fama de fazer trilha para qualquer filme que o convidassem. Fez a trilha de Rambo – Programado para Matar, um filme de ação em que um veterano do Vietnã é hostilizado numa cidade dos E.U.A. e após usar todo seu conhecimento de guerra, tem um colapso nervoso e se entrega à polícia (no final original se matava). Um filme com alguma pretensão psicológica, pois. Goldsmith fez a trilha dentro do que o filme pedia:

 

Aí veio a  continuação Rambo II e o filme virou o delírio narcísico patriótico pró-guerra pelo qual a série se tornou conhecida. O que me impressiona é como Goldsmith pega  mesma melodia que usava antes como base para o segundo filme, bem mais espetacularizado:

 

Será que algum outro compositor conseguia fazer trilhas com caras tão diferentes e tanta competência?

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O Ralo do Dinheiro Público

Posted by Márcio Gonçalves em abril 20, 2014

o ralo do dinheiro público é a fationa amarela

o ralo do dinheiro público é a fationa amarela

 

Todo mundo quer saúde pública  e educação pública de qualidade. Nos último meses se coloca a Copa como grande vilã do gasto do dinheiro público que deveria ser usado em melhores escolas e hospitais públicos. Só que o verdadeiro vilão é outro.

Sobre os gastos da Copa, vamos focar nos estádios que são o fetiche dos protestos. O governo alega que emprestou 8 bilhões de reais – que, por serem empréstimos, voltarão. Suponhamos que o governo estivesse mentindo. Que ao invés de 8 bilhões em 7 anos foram gastos 80 bilhões. Ainda assim isto não seria nem 10% do 1 trilhão de reais que o governo gasta todo ano com os juros da dívida pública! 1 trilhão! Todo ano!  Caraca!

(Os juros da dívida pública são a grande fatia amarela do orçamento na figura que ilustra este post).

E pra onde vai este dinheiro? Para quem tem títulos da dívida pública, ou seja, quem em algum momento comprou títulos emitidos pelo governo para superar o seu déficit. Ou seja, grandes bancos de investimento, brazucas e gringos, fora alguns investidores individuais.

Esta parcela do orçamento nunca deixa de ser gasta. Nunca é desviada pela corrupção. É intocável. A Copa vai passar, a Olimpíada vai passar, os protestos vão passar e os juros da dívida pública  continuarão lá, sem que a maioria dos brasileiros saiba. Todos os governos se submetem a ela, em maior ou menor grau. Se alguém romper com ela de vez, provavelmente cai no dia seguinte.

O governo Dilma é considerado mais conservador que o de Lula em alguns pontos, mas no caso dos juros foi de uma ousadia tremenda quando incentivou o Banco Central a diminuir os juros da taxa Selic. A selic influencia diretamente no valor que será pago aos juros da dívida pública. Quando a Selic baixou entre 2011 e início de 2013, os juros da dívida também baixaram. Mas subitamente começou o terrorismo midiático da inflação,  e lá vai a taxinha subindo de novo. Quem mandou mexer com o dinheiro da elite financista?

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Cruzando o Tempo

Posted by Márcio Gonçalves em abril 13, 2014

capa antológica

capa antológica

Vejam o valor de uma capa. A história acima, “Dias de um Futuro Esquecido” (Days of Future Past), é uma das preferidas dos fãs de X-Men e vai virar filme este ano. Mas nunca tinha me tocado do quanto a capa pode ter contribuído para o sucesso da história até o meu filho, então com 10 anos e que não lê X-Men, ter olhado para ela e contemplado-a por longos segundos e começado a me fazer perguntas.

Que a capa é icônica já é meio senso comum. O que não fica tão claro à primeira vista é que ela reúne duas características que quase não andam juntas: é sensacionalista e não é vulgar. Ou seja, o choque que vem da capa não é de associações gráficas com sexo nem com violência, mas da sugestão de que os heróis da revista X-Men tinham sido dizimados, invertendo a lógica de que os heróis sempre vencem. No futuro representado por aquela história, os heróis perderam. Quem não morreu está preso. O sonho de convivência pacífica entre humanos e mutantes acabou. Para reverter esta derrota, os mutantes sobreviventes fazem com que um deles projete a mente para seu próprio corpo no passado de modo a alterar um evento-chave: o assassinato de um senador por um grupo de mutantes terroristas.

A historia é uma pequena joia e muito influente. Foi publicada em duas partes de 22 páginas. Se tivesse mais umas dez páginas para detalhar visualmente o que aconteceu do assassinato do senador até aquele futuro ficava ainda melhor. Sinceramente não lembro de futuros sombrios em histórias de super-herois antes desta. A ideia de viagem no tempo com a mente só voltou a ser usada no filme O Efeito Borboleta.

Como foi publicada originalmente em 1980, muitos acreditaram  que  havia um filme de 1984 que teria plagiado Dias de um Futuro Esquecido:

oficialmente, este filme não é plágio dos X-Men

oficialmente, este filme não é plágio dos X-Men

Pensem só: volta ao passado para impedir um evento-chave. Se os X-Men vinham impedir o assassinato de um senador, Schwarzenegger vonha matar a futura mãe do líder dos humanos. Como no Brasil a história saiu pela primeira vez dois anos depois de “The Terminator” até o pessoal da Editora Abril botou a legenda “exterminadores do futuro” na parte de baixo da capa.

Pode até ser pretensão dos fãs de quadrinhos, mas o fato é que Terminator é plágio de outra coisa, pelo menos oficialmente.

O escritor Harlan Ellison é autor do episódio “Soldier” da série Outer Limits, sobre um soldado que viaja no tempo. Parece genérico demais pra ser plágio? Vejam a semelhança entre os dois, compilada no fan site James Cameron online:

Soldier e o Exterminador do Futuro: o que vocês acham?

Soldier e o Exterminador do Futuro: o que vocês acham?

E ainda tem uma outra história de Ellison para Outer Limits, “O Demônio da Mão de Vidro”, onde um sujeito desmemoriado luta contra pessoas estranhas que, depois se descobre, são alienígenas que vem de um futuro onde extinguiram a humanidade. Ellison diz que esta não inspirou O Exterminador do Futuro. Sei não. Acho que James Cameron saiu pegando um pouco de cada um, inclusive dos X-Men (e acho que o Exterminador tem méritos de sobra, independente disso). E, quem sabe, uma outra história célebre de Ellison, para a série Clássica de Jornada nas Estrelas também não pode ter sido mais uma fonte:

Kirk e Spock diante do Guardião do Tempo

Kirk e Spock diante do Guardião do Tempo

Eu e minha geração praticamente fomos iniciados com o tema de viagem no tempo com  “A Cidade no Limite da Eternidade” (The City on the Edge of Forever). (Vamos reconhecer que a série Túnel do Tempo também foi importante, mas não estiquemos demais este post).

Kirk, Spock e McCoy, através de um ente chamado “Guardião do Tempo”, vão parar na Grande Depressão dos anos 30, onde Kirk conhece a bela e idealista Edith Keeler. Alguma coisa foi modificada no passado e cabe a eles mudar a situação. Eles cumprem a missão, não sem surpresas.

 

O Capitão Kirk e Edith Keeler

O Capitão Kirk e Edith Keeler

Quem dera J.J Abrams adaptasse o roteiro original de Cidade no Limite da Eternidade para seu próximo Star Trek. O roteiro original de Ellison era bem mais amplo e teve que ser cortado por questões de orçamento e tempo. Bem, do jeito que as coisas andam, pode ser que alguém achasse que este hipotético filem era plágio de O Exterminador do Futuro… hehehe.

Tem muitas mais histórias de viagens no tempo. Este post não tinha a intenção de esgotar o tema, só falar de algumas preferências pessoais. E não esqueçamos que viagens no tempo são virtualmente impossíveis, com exceção daquela que fazemos diariamente, na velocidade de 24 horas por dia, do presente em direção ao futuro…

 

Days of Future Past, edição original

Days of Future Past, edição original

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