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Notas de uma noite tumultuada

Posted by Márcio Gonçalves em março 17, 2016

rua_destrocada

17/03/2016, 00:42

Existem fatos jurídicos.

E fatos políticos.

A nomeação de Lula é um fato político, que tem um problema pelo fato de Lula ser investigado. Poderia ser vista apenas como tentativa de fuga da instância a que está submetido e busca do foro privilegiado. No meu entendimento, a nomeação também serve para isto (por isto eu não gostava muito da ideia). A gravação de Moro indica que os dois, Dilma e Lula podem estar preocupados com a possível prisão de Lula e arrumando recursos para evitar esta prisão.

No meu ponto de vista, isto pode ser questionado juridicamente. Bem como a validade dos grampos também.

E, com relação à prisão, alguém tem dúvida de que Moro quer prender Lula? Que quase fez isto em na sexta-feira 04/03/16? Que sofreu um “coito interrompido” quando o avião não saiu de Congonhas em direção a Curitiba? Que passou aperto quando teve que explicar o porquê da condução coercitiva de alguém que não tinha sido intimado a depor? (Além de Moro, três patéticos procuradores do Ministério Público de SP, não só queriam prender Lula, como queriam escolher a data, fazendo um pedido de prisão que parecia retirado da página do Revoltados Online). E existem provas de crime para prender o investigado Lula? Parece que não. Existem indícios. Que tudo seja investigado até o fim.

Mas, cá entre nós, alguém acha que já não investigaram tudo dele? Um suposto “chefe de quadrilha” do qual só conseguem achar um triplex que não é dele? E um sítio, que tem sim indícios de favorecimentos, como reformas supostamente bancadas por empreiteiras – mas só indícios. Não acharam nada melhor que isto? Um laranja, uma conta na Suíça (como Eduardo Cunha), dinheiro desviado em paraíso fiscal (como Aécio Neves e José Serra). Bom, esse tal de Lula deve ser muito bom em esconder…

Já se falou em vício de origem na nomeação de Lula, então que seja questionado nos canais competentes – e que ele possa se defender, bem como Dilma. Neste mérito, se precaver contra possíveis pedidos celerados de prisão, depois de consumada a decisão de Lula entrar no ministério, é humanamente compreensível. Se quisessem fugir atabalhoadamente, a nomeação teria saído a toque de caixa semana passada.

Mas…

Existem fatos jurídicos.

E fatos políticos.

Outro fato político relevante é um juiz de primeira instância não ter pudores em revelar para um conglomerado de mídia uma gravação que envolve a presidenta da República (e de forma quase instantânea, no mesmo dia que o grampo foi feito, já fora do horário permitido!). Fato político relevante é a parceria fechada entre setores do judiciário, setores da Polícia Federal e os grandes meios de comunicação. Fato político relevante é a escandalização extrema de grampos telefônicos (com conteúdo que deve sim, ser esclarecido e investigado) para insuflar mais uma vez a parte da população para a qual o PT já é culpado de tudo, além de insuflar a oposição a tentar o impeachment. Fato político é a instrumentalização da justiça e da mídia para dominar politicamente um país, usando o combate à corrupção como justificativa esfarrapada na campanha de difamação não só de um partido, mas de um campo político, popular, nacionalista, desenvolvimentista.

Sim. Hoje a narrativa midiática-policial-jurídica é petista=corrupto (e nem interessa que o partido com mias políticos na Lavajato seja o PP, de onde acabou de sair Jair Bolsonaro…). Em breve, a narrativa deve passar a ser esquerdista=bandido, que se soma àquela que diz que “bandido bom=bandido morto”…

Fato político é usar o poder policial, judicial e midiático para acirrar de vez os ânimos e chegarmos à confrontos físicos entre facções.

A exploração política dos fatos jurídicos pode levar o Brasil a conflitos que nunca tivemos. Aguardemos os próximos dias. Não estou otimista

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Uma resposta to “Notas de uma noite tumultuada”

  1. Um jornalista do mais alto gabarito, como Paulo Henrique Amorim, que inclusive já trabalhou na Rede Globo de Televisão e por quem fui entrevistado à época, acaba de recomendar, aberta e sinceramente, em vídeo, ontem, ao Ministro Ricardo Lewandowski, presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), plenamente confiante, sem o menor medo de ser processado, que destitua imediatamente (“amanhã”, ele frisou) o juiz Sérgio Moro, da 13ª vara federal de Curitiba, por prática de crime previsto na Constituição Federal e conduta incompatível com a magistratura — além de chamar abertamente no vídeo o juiz Sérgio Moro de juiz de 5ª categoria e de “juiz golpista”; e acaba também de recomendar à presidenta Dilma Rousseff que “demita imediatamente t-o-d-a a Polícia Federal, inclusive os que lá servem cafezinho”, “por ser ela uma polícia golpista e mancomunada com a tentativa de golpe de Estado em curso”. Paulo Henrique Amorim não está brincando.

    Visto isso, dá para se ter uma ideia da gravidade do momento político no Brasil, onde uma organização midiática bilionária, criminosa e sonegadora, disfarçada de jornalística e de entretenimento, trabalha 24 horas por dia insuflando sua malta de zumbis descerebrados para que dê sustentação ao golpe de Estado que planeja, juntamente com parte da Polícia Federal, da magistratura e do judiciário (cujas figuras de proa são o juiz supracitado e os procuradores do Ministério Público de São Paulo que escreveram o famoso pedido de prisão atabalhoado em que se confunde Hegel com Engels, prévio à tentativa de rapto do ex-presidente Lula no dia 4 de março).

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