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Adaptação melhor que o original

Posted by Márcio Gonçalves em julho 29, 2018

(atenção: o texto contém spoilers de “Vingadores: Guerra Infinita” e de um monte de quadrinhos antigos)

Quando terminei de assistir Vingadores: Guerra Infinita tive a sensação clara que o público que não lia quadrinhos tinha acabado de ter seu primeiro contato com o conceito dos massive crossovers: juntar todos os personagens de um universo compartilhado e fazê-los passar por uma situação catastrófica. (Segundo alguns relatos, este primeiro contato foi até traumático no caso de algumas crianças).

Ponto para os roteiristas/ diretores James e Anthony Russo, que fizeram uma adaptação melhor que o original. A premissa é originária de Thanos Quest e Infinity Gauntlet, que compõem um crossover de 1990-91 que,  sinceramente,  nem é dos melhores. (Obs.: A saga original de Thanos criada por Jim Starlin na década de 70, esta sim é acima da média e inovadora.)starlin-death-of-adam-warlock

No momento não sei se os Russo conseguem manter o nível na conclusão da história que será exibida no ano que vem. Mas só consigo pensar no bom resultado que tiveram agora. E pensar em quantas histórias melhores que Infinity Gauntlet não tiveram a sorte de serem bem adaptadas.

Em 2003, o Demolidor chegou à tela grande na pele de Ben Affleck, num filme que decepcionou. Adaptava a fase clássica de Frank Miller, apelidada pela Editora Abril de “a Saga de Elektra”. A série Netflix do Demolidor teve duas temporadas ótimas, mas eles abdicaram de seguir a saga da Elektra mais de perto. Pena, se tivessem seguido, seria ainda mais brilhante e teríamos cenas como a que Ben Urich é pego em flagrante pela Elektra por causa dos seus cigarros…

elektra_atinge_ben-urich

Em 2005, John Constantine chegou à tela grande na pele de Keanu Reeves. Outro filme meia-bomba. E o pior é que desperdiçaram a solução original da saga Hábitos Perigosos, onde Constantine estava com um câncer de pulmão terminal…

Em 2006, A saga da Fênix Negra virava apenas um subplot de X-men: The Last Stand. Bryan Singer não fez este filme, ao contrário dos seus dois ótimos antecedentes. Deve ser por isso que ele tá adaptando de novo agora. Vamos ver o que rola.

Em 2009, foi lançado Watchmen de Zack Snyder. É uma adaptação bem fiel ao original, mas que por alguma razão não funciona muito bem na tela de cinema. Fiel demais à estrutura narrativa original? Curiosamente, o visual estiloso e o apego ao original não atrapalharam as bem-sucedidas adaptações de Sin City (2005) e 300 (2006). No caso de Sin City, nem ter várias tramas atrapalhou.

Em 2014, Bryan Singer adaptou Dias de um Futuro Esquecido. Reuniu uma história clássica (que tem um das capas mais chamativas dos quadrinhos americanos), elenco de todos os filmes de X-Men e, surpreendentemente, deixou empatar um jogo que já começava ganho… Tenho a impressão que muitas pequenas mancadas somadas foram tirando a graça do filme. Como filme seguinte, X-men: Apocalypse, também ficou no meio do caminho,  minha expectativa para a Dark Phoenix de Bryan Singer não é muito alta…

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Days of Future Past (Dias de um Futuro Esquecido), edição original

Em 2016, veio Batman vs Superman, que é provavelmente o campeão da alquimia reversa (transformar ouro em chumbo). O filme usa o mesmo clímax de The Dark Knight Returns, de Frank Miller. Ao invés do desenlace genial em que Batman, quase derrotando o Superman, simula a própria morte para convencer o amigo a parar, temos um Batman sanguinário prestes a executar a sangue frio o Superman e só para porque por acaso o Superman fala o nome da mãe, que, por acaso, é o mesmo nome da mãe do Batman… Pelamordedeus

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Ainda para completar, conseguem incluir Doomsday no final do filme. O original não era uma grande história, mas era um grande evento, cujo tom emocional foi competentemente explorado na edição de “A Morte do Superman”. Em Batman vs Superman, foi um adendo a um filme que variava entre momentos maçantes, absurdos e constrangedores e que não teve a emoção que o acontecimento merecia.

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Como já disse, não sei se os Russo vão conseguir encerrar a Guerra Infinita tão bem quanto começaram. Mas acho que se conseguirem, a bilheteria do filme tem chance de só  ficar atrás de Titanic e Avatar. Aí pode se confirmar aquela sensação que tínhamos nos anos 80 quando líamos quadrinhos Marvel ou DC: “Se isso fosse pro cinema ia arrebentar!”

E, arrisco dizer, se eles tiverem sucesso nesta conclusão, credenciam-se a fazer Crise nas Infinitas Terras, unindo os universos DC televisivos e cinematográfico e gerando uma nova Terra DC…

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Uma resposta to “Adaptação melhor que o original”

  1. GiovaniPessanha Guimarães said

    O desafio dos irmãos Russo é realmente grande, mas eles tem créditos. Alem disto o material com o qual eles estão trabalhando é o melhor possivel.

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