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Archive for the ‘quadrinhos’ Category

Videodrome

Posted by Márcio Gonçalves em junho 23, 2014

O poster de Videodrome

“Primeiro controla sua mente, depois destrói seu corpo”

Um dos encantos da ficção científica são as alegorias que determinadas histórias proporcionam. Alegorias sobre o presente, sobre o momento em que a obra foi feita, e não sobre o futuro onde boa parte da FC é ambientada.

No filme  O Planeta dos Macacos (1967) a última cena revelava que o astronauta Taylor (Charlton Heston), depois de passar um perrengue numa sociedade de macacos inteligentes, encontra a Estátua da Liberdade e descobre que na verdade seu suplício foi vivido na Terra. Taylor começa o filme questionando o que a humanidade faria no futuro e descobre que ela conseguiu destruir a si mesma e se tornar mais selvagem que os símios. Alegoria adequada para um mundo em plena guerra fria e que podia se destruir a qualquer momento.

planeta dos macacos estátua da liberdade

Taylor descobre que os humanos conseguiram destruir tudo e ser mais selvagens que os animais

Em Matrix (1999), o hacker Neo (Keanu Reeves) escolhe tomar uma pílula vermelha para encontrar a resposta à pergunta que o incomoda (“O que é a Matrix?”). Descobre que passou toda sua vida numa gosma rosa, como aliás quase toda a humanidade, servindo de fonte de energia para os computadores que dominam o mundo. Os seres humanos são como pilhas que alimentam o sistema. Alegoria perfeita para a situação que vivemos: nosso trabalho cotidiano alimenta as engrenagens das várias estruturas de poder – por mais que não gostemos da ideia.

O despertar de Neo

Neo desperta e descobre que somos todos pilhas para fornecer energia ao sistema

Em Videodrome (1983), um dos donos de uma TV a cabo, Max Renn (James Woods) quer incrementar sua programação, que é recheada de apelações sexuais. Através de um aparente programa sadomasoquista pirata acaba encontrando uma tecnologia que envolve completamente o telespectador nas suas próprias fantasias, o limite entre a imagem na tela e o real se confunde e alucinações começam a surgir. Alegoria fortemente influenciada pelas ideias do teórico da comunicação  Marshall McLuhan, era uma possibilidade distante para a tecnologia da época do filme, mas totalmente adequada aos meios de agora. Videodrome supunha uma interatividade que videocassete, videogames de 1ª geração e produção independente de TV não tinham – mas que internet e redes sociais  no seu  celular  já tem, acompanhando você 24 horas por dia.

O filme não se passa num futuro, mas na sua época de produção (início dos anos 80), o que o torna um caso raro de alegoria para a época em que foi feita, mas funciona melhor no futuro – um cyberpunk que ignorava a existência de rede de computadores.

entrando na TV

Max Renn é seduzido pela imagem e mergulha na TV, mas esta metáfora serve melhor para a internet das redes sociais

Videodrome também previa uma exacerbação de desejos e  sentidos que a cultura do vídeo traria. O personagem de Debbbie Harry chega a falar numa entrevista dentro do filme que vive num estado de “superestimulação” e que ela acreditava que os meios de comunicação levariam toda a sociedade no mesmo caminho. A sociedade onde se pode ter vídeos de assassinatos reais e sexo explícito na sua telinha foi se consolidar uns 25 anos depois do filme.

fala debbie harry

“Eu vivo num estado altamente excitado de superestimulação”

No meio da trama surge até uma obra religiosa que dava aos sem-teto uma dose diária de TV  (em biombos individuais!)  junto com as refeições, explicando que havia pessoas que tinham alguma dependência de vídeo. Os casos de viciados em TV se mostraram raros, mas se falarmos de redes socias, a coisa muda de figura. A chave – não é demais enfatizar – é o nível de interatividade, que na cultura do vídeo era infinitamente menor que na internet – essa sim, com potencial viciante.

O filme ainda tem um personagem inteclectual que só se manifesta através de vídeos gravados e usa um psedônimo. Qualquer semelhança com avatares  da rede não é mera coincidência.

Não é à toa que Videodrome foi relativamente rejeitado pelo grande público quando lançado. Além de fazer uma extrapolação que não coube no seu tempo, ainda tinha doses de sexo, violência e escatologia  acima da média da época. Nas exibições de teste quase só houve reclamações. Mas nada parece gratuito neste filme do diretor David Cronenberg – os excessos fazem parte dos seus filmes, do seu modo de contar a história – nada é feito apenas para chocar o espectador.

O filme foi vendido como “terror”, e realmente tem coisas assustadoras. Mas isto também fez com que o preconceito de terror como gênero menor fosse acoplado ao filme. (E convenhamos, na época vivia-se o boom de filmes tipo “sexta-feira 13” cuja história se resumia a colocar grupos de jovens indo pra farra e sendo assassinados por Jason/MikeMeyers/FreddieKrueger, que explica de onde vinha o preconceito…).

Cronenberg faz fantasias sinistras que caberiam na editora DC/Vertigo nos anos 90, mas seu cinema só passou a ser mais reconhecido a partir de sua refilmagem de A Mosca (1986), curiosamente tão ou mais escatológico que Videodrome…

A mistura entre alucinações e realidade também pode tornar o filme confuso para o grande público. E quem for assisti-lo hoje em dia tem que dar um desconto para os efeitos especiais, modestos comparadas ao realismo da computação gráfica dos últimos 10 anos. Mas, de maneira geral, ainda bem que eu demorei 30 anos para conseguir ver este filme. Ele faz mais sentido agora.

poster alternativo para videodrome

poster alternativo para videodrome

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Filmes Imaginários: Tropa de Elite 2

Posted by Márcio Gonçalves em fevereiro 5, 2010

Sobre este já li um pouco. Então, vou tentar partir do que já foi divulgado.

É 2007. O Capitão Nascimento trabalho na Secretaria de Segurança e o ex-soldado Matias agora é capitão do BOPE. O filme começa quando um soldado do BOPE é assassinado durante uma operação comandada por Matias. A coisa fica estranha quando a perícia determina que o soldado foi morto por bala do BOPE, e não das armas dos bandidos. Nascimento vai a Matias oferecendo ajuda para descobrir o traidor. Depois de matarem mais bandidos, torturarem parentes de bandidos, e botarem a culpa da violência nas ONGs e nos “universitários maconheiros”, eles acabam descobrindo que a razão do assassinato vem de um grande carregamento de armas que está por chegar. Matias, junto com outro pelotão, vai com uns três caveirões para o local da entrega das armas. O pelotão original do Matias, onde agora há um suspeito de ter conexões com bandidos, provavelmente está sendo torturado também… O BOPE bota pra quebrar no local de entrega das armas. Nascimento não agüentou de saudades e foi lá aterrorizar uns pobres pessoalmente. NO finzinho da operação, um bandido preso olha pro Matias e fala: “pô chefia, que que houve?”. Matias o mata a sangue-frio. Nascimento finalmente entende tudo: Matias era o traidor! E emenda logo a pergunta: “Por quê?”.

Matias faz um discursinho dizendo que precisava daquelas armas para levar adiante um projeto de um grupo independente que ia resolver os problemas do crime (sim, seria um esquadrão da morte urbinado). Mas para fazer a limpeza precisou primeiro botar as mãos na sujeira.E que a grande inspiração dele para fazer isto era o próprio Nascimento…

Nascimento, que não é bobo nem nada, usa dos seus dotes de Jack Bauer e entra num dois caveirões para fugir. Outro caveirão o persegue. (Imaginem: caveirão contra caveirão no meio da rua). O Caveirão do Nascimento acaba caindo morro abaixo e o Matias acaba deixando o caveirão dele para ir lá embaixo ver o que ia fazer do Nascimento. Na pressa, deixa o seu próprio caveirão vazio. A população da favela, revoltada com a destruição causada pelos dois caveirões, entra no caveirão do Matias e sai atacando o BOPE, que se dá mal, muito mal. Matias leva Nascimento para fora da confiusão , deixa ele na beira da estrada e diz:

“Não posso te matar, Nacimento”.

Seis meses depois, Nascimento se recupera dos ferimentos e leva a seus superiores informações osbre o que ocorreu. Qual não é sua surpresa ao ver na cara de todos os seus chefes uma expressão dura. UM deles fala explicitamente:

“Sabemos de tudo. Nós patrocinamos a criação do grupo de extermí… digo, grupo de combate ‘olho por olho’ do Matias. Se você não conconrda… PEDE PRA SAIR!”

Close na cara do Nascimento. Não sabemos qual vai ser sua resposta. (e de quebra ainda ganhamos um gancho para o “Tropa de Elite 3”)

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